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Quem educa comunica. E quem comunica também educa



ELISA LEMME
Artigo por
Elisa Lemme
Gerente de Marketing do Colégio Paulo Freire

Vivemos uma ironia curiosa hoje em dia: nunca tivemos tantos recursos para nos conectar, mas a comunicação real anda cada vez mais rara. A gente publica antes de refletir, julga antes de entender e compartilha antes mesmo de checar. Na corrida pelos likes, muitas vezes esquecemos a responsabilidade por trás daquilo que dizemos.

É exatamente aí que a escola se depara com uma escolha fundamental: vamos nos comunicar para o algoritmo ou para as pessoas?

Trabalhando há anos com comunicação dentro do ambiente escolar, aprendi que essa corda bamba não é nada fácil. As redes sociais pedem pressa, premiam o que chama atenção na hora e dão a sensação de que tudo, o tempo todo, precisa virar um post. Mas escola não é palco de entretenimento. Educação pede tempo, contexto e propósito.

Nos últimos anos, vimos muitas instituições surfando nas trends, dancinhas e memes para tentar alcançar mais gente. E não me entenda mal: não há problema nenhum em uma escola ser leve, criativa e falar a língua do nosso tempo. O sinal de alerta acende quando o desejo de “viralizar” atropela o projeto pedagógico. Quando parecer divertido se torna mais importante do que o compromisso de educar, algo valioso se perde.

A verdade é que engajamento e relevância são coisas bem diferentes. O primeiro a gente conquista em poucos segundos. A segunda leva anos, com suor e coerência, para ser construída. O sucesso da comunicação de uma escola não deveria ser medido por visualizações, mas pelo tamanho da confiança que ela constrói com as famílias, com os alunos e com a própria equipe.

Isso muda bastante a forma como olhamos para a sala de aula. Nem toda brincadeira precisa virar conteúdo. Nem toda conquista pede uma câmera. Existem momentos mágicos que pertencem apenas aos alunos (crianças ou adolescentes), às famílias e ao espaço sagrado da aprendizagem. Nossos professores não podem ser reduzidos a personagens de internet, pois o trabalho deles é infinitamente maior do que um vídeo de 15 segundos pode mostrar.

Foi justamente esse respiro de bom senso que encontrei no Colégio Paulo Freire. Em vez de terceirizar sua voz ou tratá-la só como uma vitrine de marketing, a escola fez uma escolha diferente: investiu em uma equipe de Marketing própria, integrada de verdade ao dia a dia e formada inteiramente por mulheres.

Nós somos um time que conhece os alunos pelo nome. Acompanhamos os projetos desde o rascunho no papel, conversamos diariamente com Diretores e Professores, escutamos as famílias. Entendemos que cada foto, vídeo e texto vão muito além de uma estratégia digital. Eles representam histórias, rostos e relações construídas ao longo de mais de três décadas.

Estar perto faz toda a diferença. Nós não apenas noticiamos o que acontece; nós comunicamos o que vivemos e conhecemos de perto. Talvez por isso a nossa maior preocupação nunca tenha sido a quantidade de posts, mas manter a coerência com os valores que a escola defende todos os dias.

Comunicar a vida de uma escola é muito mais do que alimentar o Instagram. É construir pontes. É proteger a infância e adolescência. É valorizar quem dedica a vida a ensinar e entender que uma boa reputação não nasce de uma postagem “que bombou”, mas de fazer o que se diz.

A comunicação hoje acontece muito pelas telas, é verdade. Mas a sua essência continua (e sempre será) profundamente humana. Ainda bem!

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