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Ainda vale a pena aprender inglês na era da inteligência artificial?



Glauce Peres Domingues
Artigo por
Glauce Peres Domingues
Coordenadora pedagógica do Fund. 2 e do Programa Bilíngue do Colégio Paulo Freire

Há mais de 30 anos trabalho na área da educação e grande parte dessa trajetória foi dedicada ao ensino da língua inglesa. Ao longo dos anos, vi o inglês abrir portas profissionais, ampliar horizontes e também transformar experiências pessoais. Quanto mais fluente me tornava, mais percebia que aprender um idioma vai muito além de decorar regras gramaticais ou memorizar palavras. É adquirir autonomia, confiança e a capacidade de me conectar com pessoas e culturas diferentes.


Sempre gostei de viajar. Não há dúvidas de que falar inglês fluentemente tornou minhas experiências muito mais ricas. Em viagens internacionais, não há a tensão de não conseguir pedir uma informação, entender um cardápio, fazer compras ou resolver imprevistos. O domínio do idioma proporciona liberdade e segurança. E foi justamente em uma viagem internacional há alguns anos que percebi, pela primeira vez, como a falta de comunicação pode transformar uma situação difícil em um verdadeiro pesadelo.


Tudo estava cuidadosamente planejado: voos, reservas e uma viagem de trem que me levaria a Londres. Porém, um atraso na saída do Rio de Janeiro desencadeou uma série de problemas. Perdi minha conexão e precisei desembarcar em outro aeroporto na França, diferente do previsto inicialmente. Como consequência, perdi também o trem para Londres. Cansada, sem internet e precisando encontrar uma alternativa, entrei no primeiro táxi disponível. Foi então que descobri que o motorista, um imigrante asiático, não falava uma única palavra em inglês. Ele se comunicava apenas em francês. Pela primeira vez, senti na pele a angústia de não conseguir me comunicar. A sensação de impotência foi grande. Foi uma experiência que me mostrou como a língua é uma ponte entre as pessoas.


Segundo dados recentes, existem cerca de 1,27 bilhão de falantes de inglês em todo o mundo, sendo que a maioria deles não é composta por falantes nativos. Isso porque o inglês se consolidou como uma língua franca, ou seja, um idioma comum utilizado por pessoas de diferentes nacionalidades para se comunicarem.


No mercado de trabalho, o domínio do inglês continua sendo um diferencial importante. Muitas empresas exigem conhecimento do idioma e profissionais bilíngues tendem a ter mais oportunidades e acesso a cargos melhores. Além disso, falar inglês permite expandir a rede de contatos, consumir conteúdos produzidos em diferentes países e acompanhar com uma ótica diferente as transformações do mundo.


Nos últimos anos, com o avanço da inteligência artificial e das ferramentas de tradução simultânea, muitas pessoas se perguntam se ainda vale a pena investir tempo no aprendizado do inglês. Afinal, muitos aplicativos conseguem traduzir textos e até conversas em tempo real. No entanto, depender exclusivamente da tecnologia cria uma barreira entre as pessoas. A tradução pode ajudar, mas ela não substitui a espontaneidade de uma conversa, a compreensão das nuances culturais, a construção de relacionamentos e a segurança de conseguir se expressar em qualquer situação.


A inteligência artificial é uma grande aliada e representa uma revolução no acesso à informação e ao aprendizado. Mas ela não elimina a importância do conhecimento humano. Aprender inglês e utilizar a IA não são caminhos opostos, mas complementares.
Afinal, falar inglês nunca foi apenas sobre entender palavras. É sobre compreender pessoas, criar conexões, ter autonomia e viver experiências de forma mais plena. E por mais avançada que seja a tecnologia, continua sendo algo que nenhuma inteligência artificial é capaz de substituir.



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