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Coluna Cinema



Por Rudá Lemos

Essa é a primeira edição de uma coluna semanal sobre a sétima arte que terei a honra de escrever neste Diário de Niterói. Aqui farei críticas e recomendações sobre os filmes em cartaz, os clássicos que se tem de ver, recomendação de exibições em mostra e festivais e novidades sobre o cinema em geral. Conto com sua leitura, compartilhamento e comentários!

Depois de “Aquarius”: O cinéfilo brasileiro vibrava de expectativa com a vinda do novo filme de Kléber Mendonça Filho, “Bacurau”, após o Prêmio de Júri no Festival de Cannes. O longa dá continuidade na carreira do crítico de cinema e diretor dos fabulosos curtas “Vinil Verde” e “Recife Frio”, agora em parceria com Juliano Dornelles. 

Ciente do poder da trilha sonora para ressignificar cenas, Kleber e Juliano utilizam na abertura “Não Identificado” da Gal Costa. Do hit da Tropicália lançado para o espaço sideral falando coisas de amor, “Bacurau” retoma à Terra em um futuro próximo, precisamente no Sertão do Seridó, em uma comunidade que só não é de todo distópica/futuristica porque já tem a sua brasilidade inequívoca: é extremamente violenta, governada por déspotas e alvo da cobiça por agentes internacionais.

O mal-estar social e a desconfiança com o outro de “O Som ao Redor” estão aqui, como as estratégias e alternativas de resistência de “Aquarius” também estão. A Sônia Braga bon-vivant de lá, praticamente sozinha para encarar os inimigos externos, agora apesar da postura marrenta sabe que deve contar com os seus para sobreviver. Esse instinto forja um senso de comunidade que está implicado em uma reação catártica de violência, consequência de todo seu mise-en-scene devedor do cinema de faroeste e de ação. Não é só ela, há um painel de personagens marcantes no filme, a ponto de sentirmos falta de maior presença deles, vide que o filme se ocupa muito em criar a ambiência de thriller.

Com sessões lotadas, mais de R$2 milhões arrecadados e repercussão pelas redes sociais, o filme é um fenômeno com importância política diante das ameaças ao cinema nacional pelo esvaziamento da ANCINE e redução de financiamentos e incentivos pelo governo federal. Esse elemento extra-filme amplia seu significado e sua importância. (Nota: 8/10)

Em Niterói, o filme segue em cartaz no Cine Arte UFF (16h20) e em significativa presença pelo Rio de Janeiro. É aconselhável chegar com antecedência, pois as sessões estão esgotando. (Confira o trailer do filme.

Mas quem vai ao Oscar é outro: O filme do Kleber era um dos concorrentes para a categoria de filme estrangeiro no Oscar. No entanto, a Academia Brasileira de Cinema escolheu o novo filme de Karim Aïnouz, “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão”, vitorioso também no Festival de Cannes com o prêmio máximo da mostra Um Certo Olhar. Karim é conhecido por “Madame Satã” e “O Céu de Suely” e dessa vez conta a história de duas irmãs que se separam e buscam se reencontrar nos conservadores anos 50. Veja aqui o trailer e vamos torcer para que se supere o jejum de indicação brasileira nessa categoria que já data desde 1999 com “Central do Brasil”.

E você já assistiu o novo Tarantino? Um dos cineastas mais inventivos do cinema americano, Quentin Tarantino, segue em cartaz com mais uma abordagem única sobre a história e a cultura pop. Unindo pela primeira vez os dois astros Leonardo DiCaprio e Brad Pitt, “Era uma vez em Hollywood” também esteve em Cannes, mas saiu sem prêmios. Na opinião desse que escreve é francamente o pior filme dele, o que não elimina a recomendação, haja vista que Tarantino é mesmo único. Ao tratar a indústria do cinema de Los Angeles de 1969 é de se identificar a nostalgia característica do diretor e prazer pelo cinema de antigamente – mas aqui não percebo o mesmo vigor dos seus melhores momentos e a fórmula acaba parecendo mais desgastada e presa a um fetiche que se estende por mais tempo do que deveria. Me alinho com a opinião de Marcus Martins que identifica que o filme “trata com frieza seus afetos”. 

O filme está em exibição na Reserva Cultural, Cinemark e Planet Cinemas, o recém-reaberto cinema do Itaipu Multicenter. É capaz de também ser exibido no Cine Arte UFF na próxima semana. Veja o trailer.

E o que mais está no cinema? Entre os filmes que estrearam no circuito, destaca-se “Adeus à Noite” do maestro do cinema francês André Techiné com Catherine Deneuve e o japonês “O Fim da Viagem, o Começo de Tudo“, do inventivo diretor Kiyoshi Kurosawa. Seguem em cartaz “Yesterday“, filme do Danny Boyle que se centra na mitologia dos Beatles; “Pássaros de verão“, representante sul-americano de Ciro Guerra, diretor do excelente “O Abraço da Serpente”; mais um filme histórico de Mike Leigh, “Peterloo“e “It: Capítulo 2” para os fãs de terror.

Mostras e festivais: A cinefilia está apreensiva com o anúncio dos organizadores do Festival do Rio que há possibilidade de não ter edição esse ano por conta da falta de patrocínio. É uma notícia que abala todos porque o festival marcou em duas décadas a cinefilia carioca. Enquanto torcemos para o festival consiga sobreviver, até quarta (18), acontece o Festival Brasileiro de Cinema Universitário com sessões gratuitas no Cine Arte UFF e no Museu de Arte Contemporânea. O festival homenageou a atriz Lea Garcia e a professora Marilia Franco. Confira a programação no site. Nessa linha de filmes brasileiros independentes, a Cinemateca do MAM exibe a 3ª. Mostra do Filme Marginal.

Brevíssimos frames: Foram descobertos três roteiros inéditos e incompletos do grande Stanley Kubrick /// Peter Fonda, o eterno hippie de “Sem Destino”, se despediu desse plano. /// Christian Petzold, brilhante diretor alemão anuncia sua nova produção. /// Festival de Veneza, sob júri da argentina Lucrecia Martel, premia “Coringa” e Roman Polanski. /// Impressionante o trailer de “The Lighthouse” que foi muito elogiado no Festival de Cannes.

Sobre o autor: Formado em Jornalismo e Filosofia, para Rudá Lemos o mundo só começou a fazer sentido quando ele se encantou com a magia do cinema. Desde então são quase 30 anos de paixão fiel: filmes que movem a vida e a vida que se move como um filme. Com gosto amplo que vai desde a simplicidade crítica de Charles Chaplin até a austeridade contemporânea de Pedro Costa.

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