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Primeiro dia do Seminário sobre a negra presença na arte




Primeiro dia do Seminário sobre a negra presença na arte, no MAC, levanta questões sobre racismo e representatividade.

No dia 15 de agosto, quinta-feira, das 13h às 17h, aconteceu o primeiro dia do Seminário “Negra presença: arte, política, estética e curadoria”, no Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC). O encontro foi realizado em meio às obras do poeta, ator, escritor, dramaturgo, intelectual e artista plástico “Abdias Nascimento”, expostas no museu. 

Organizado pelo museu em parceria com o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro Brasileiros (Ipeafro), o seminário tem o objetivo de discutir a presença do negro na produção artística e na política de resistência. Uma mesa formada por: Giovanna Victer (Secretária da Fazenda da Prefeitura de Niterói); Victor de Wolf (Secretário Municipal das Culturas de Niterói), André Diniz (Presidente da Fundação de Arte de Niterói); Marcelo Velloso (Diretor do MAC); Elisa Larkin (Diretora do Ipeafro); Roberta Martins (Diretora de Cidadania, Diversidade e Territórios da FAN); e Raquel Barreto (curadora do evento), deu início à programação. 


Abdias Nascimento

Após a mesa de abertura, o evento contou com e intervenção poética de Nilson Santos. Trazendo para o público o texto “Padê de Exu Libertador”, de Abdias Nascimento, o artista colocou em pauta o sofrimento do negro com a escravidão e a resistência contra a discriminação que vivem atualmente. Com o trecho “sabes que em cada coração de negro/ há um quilombo pulsando”, tanto Santos, quanto Nascimento, colocam em evidência a luta negra contra a opressão. 

Seguindo com a atividade, a conferência “Abdias Nascimento: arte, política, estética e curadoria”, apresentada pelo professor Kabengele Mungana, debateu a trajetória artística de Nascimento. Para Mungana, “são raras as pessoas como Abdias”.  Segundo o professor, Abdias foi um dos primeiros intelectuais negros brasileiros a estudar profundamente o racismo no Brasil, seus objetivos e como ele atua no dia a dia, na maior parte das vezes, de forma camuflada. 

Quando era vivo, segundo o Mungana, Abdias levantou pautas, como a representatividade negra nas instituições, a ideia de reparação e desigualdade, que hoje são muito atuais, sendo debatidas e motivo de disputa política. Mungana também comentou sobre a importância do homenageado para a esfera artística brasileira. Sendo um dos fundadores do Teatro Negro Experimental, Abdias incentivou o protagonismo negro nos palcos, uma vez que era costume atores brancos se pintarem para representarem personagens negros. Além disso, Abdias tem uma “arte engajada na libertação do negro no Brasil”, o que ajudou a levar a representatividade negra para dentro dos museus. 


Giovanna Victer, Victor de Wolf, André Diniz e Marcelo Velloso prestigiam o artista

Para encerrar a programação do dia, a mesa de debates “Incursões negras sobre estética, política e arte” discutiu sobre a estética brasileira e a participação da cultura negra no seu desenvolvimento. Formada por Carmem Luz, Filó e Haroldo Costa, a mediação ficou por conta de Julio Cesar Tavares. Segundo Costa, “invocando o campo das artes, vemos que a estética brasileira se torna brasileira na medida em que a contribuição negra é dada”. Por isso, em tantos momentos, ela se confunde com a estética afrodescendente. Além desse tópico, a mesa debateu o rompimento com a arte europeia durante o movimento modernista, fazendo o Brasil descobrir qual a “cara” da arte brasileira, e os ritmos e a estética únicos do carnaval, principalmente o carioca. 

A exposição “Abdias Nascimento: Um espírito libertador” fica em cartaz no MAC até domingo, 18 de agosto. 

Foto: Leo Zulu

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