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Breves Frames – Por Rudá Lemos. UFF retoma com seu cinema na reitoria



Propícia volta da coluna: após a pandemia que fez cerrar os cinemas da cidade, atingimos um maior controle com a vacinação e a retomada das aulas presenciais. Portanto, o Cine Arte UFF (Rua Miguel de Frias, 9, Icaraí), que oferece cinema de qualidade a preços baixos, retoma nesta quinta (17/03) e não poderíamos estar mais contentes com a notícia (no grupo no Facebook é possível acompanhar e expressar dessa felicidade de forma coletiva).

Para marcar o retorno com destaque, além das exibições que já iremos comentar, teremos exibição de filme com debate, às 19h. É o vibrante “Sertânia”, expressivo filme que remete ao Cinema Novo e cujo diretor, Geraldo Sarno, faleceu recentemente.O excelente crítico Carlos Alberto Mattos debate o filme com mediação de Reinaldo Cardenuto, professor do curso de Cinema da UFF.

Inácio Araujo diz em sua crítica que ““Sertânia” é um exercício de retorno ao sertão de um especialista no tema desde seu clássico documentário “Viramundo”, de 1965. O que primeiro impressiona nessa descrição não raro delirante da trajetória do cangaceiro Gavião é a liberdade que a conduz. Sarno organiza seu filme como um quebra-cabeças (…)” Falando por mim, a viagem vai valer muito a pena de ser curtida/revista na experiência da sala escura de cinema!

Além da obra derradeira de Geraldo Sarno, durante a semana outros três filmes se revezam na programação: “Marighella”; “Roda da Destino”; “First Cow”. Sobre o filme do guerrilheiro me situo entre a resenha bem elogiosa do já citado Carlos Alberto Mattos (que destaca “seu equilíbrio entre ação e intimismo”) e outra mais crítica de Marcelo Ikeda que diz que a obra “busca se ancorar com uma institucionalização que ele não percebe que já está velha”.

Já o japonês “Roda do Destino” passou elogiado por diversas mostras de cinema, tendo vencido o Urso de Prata no último Festival de Berlim. O filme se divide em três episódios sobre desilusões amorosas envolvendo mulheres. “Quando se deparam com situações complicadas, [as personagens] passam a revelar fragilidades e buscas de encontrar em si mesmo recursos para se empatizar com os outros, afirma em crítica em espanhol de Diego Lerer, que assemelha o filme ao cinema do coreano Hong Sang-Soo e do francês Eric Rohmer.

“Retorna-se ao faroeste como um mito de origem do cinema americano e busca-se imaginar novas formas de se viver.”, assim descreve Filipe Furtado ao colocar “First Cow” na 29ª em sua lista de 100 melhores filmes de 2020. Mais um exemplo do cinema de dramas minimalistas e montagem de fluxos da americana Kelly Reichardt.

A programação completa do cinema pode ser conferida no post do Instagram.

Estreias da semana – Além dos filmes que chegam ao Cine Arte UFF, Niterói exibe no Reserva Cultural, outro longa do mesmo japonês Ryusuke Hamaguchi: “Drive my Car”, este indicado ao Oscar na categoria de melhor filme e diretor (um outro “Parasita” ao furar a bolha hollywoodiana da premiação). Segundo crítica de Francisco Carbone: “Há um jogo de aproximação gradual e lenta entre dois pólos de entendimento narrativo que são filmados sempre à distância enquanto se repelem, para enfim nos aproximar daqueles corpos e daquelas vivências.”

Para as crianças, as animações “Tarsilinha” e “Os Caras Malvados” tratamrespectivamente as histórias da modernista Tarsila Amaral e do autor de livros infantis Aaron Blabey.

No mais, o cinema mantém a exibição de filmes recomendadíssimos como o novo “Batman”, “Licorice Pizza”, “Spencer” e “Eduardo e Mônica”.

No Cinemark do Plaza, os fãs de filmes de terror tem “O Ritual: Presença Maligna” para se assustar. Filme este que também passar nos cinemas do Bay Market e do Itaipu Multicenter (repetindo neste também a exibição de “Tarsilinha” e “Os Caras Malvados”, além das infinitas sessões de “Batman”, risos). Segundo a Filme B, “Batman” já acumula 4,1 milhão de espectadores no país, o que dá novo fôlego à reabertura dos cinemas.

Lançamentos nos Streamings – Produções originais da Netflix estreiam nesta semana, e portanto, tem poucos comentários circulando. São eles: o polonês de ação “O rei das fugas” (16/03); o sueco apocalíptico “Carangueijo negro” (18/03, data também do americano de suspense “Sorte de Quem“).

No MUBI, reduto dos filmes de maior curadoria artística, a veterana cineasta de Hong Kong, Ann Hui, traz a partir de 18/03 o seu “Love After Love” (em entrevista, após receber Leão de Ouro honorário no Festival de Veneza, a cineasta contou um pouco da sua trajetória). Agora o grande destaque é “John From” de João Nicolau, que chega no dia 22/03, um coming-of-age português cativante em seus caminhos dramáticos inventivos, que chegam a ser desconcertantes em um sentido amplamente positivo.

Já no no Amazon Prime, em 18/03, chega o mais novo filme de Guy Ritchie “Infiltrado”. Diretor conhecido por “Snatch” e “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”, aparenta ser outro filme de muita testosterona e intrigas criminalísticas.

Brevíssimos frames – William Hurt sai de cena aos 71 anos. Reveja a entrega do Oscar de melhor ator em sua atuação em “O Beijo da Mulher-Aranha”. // Festival que concilia com a temática ambiental, o Curta Taquary em suas 14ª edição, entre debates e exibições de curtas, acontece nos dias 16 (Dia nacional da conscientização das mudanças climáticas) a 22 de março (Dia da Água).

“30 anos: a pior década da vida” // Texto ótimo sobre “Passion”, o 1º filme de Ryûsuke Hamaguchi, o cineasta japonês que já estamos citando pela 3ª vez por aqui. // Sean Penn e Julia Roberts contracenandos juntos? Veja o trailer de “Gaslit”, série sobre o escândalo Watergate: https://www.youtube.com/watch?v=ZQ-uyTbsWJw

Rudá Lemos é Jornalista

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