Presidente Tadros defende integração sul-americana e destaca momento histórico do Mercosul durante reunião de câmaras de comércio no Paraguai
Encontro em Assunção reuniu líderes empresariais e autoridades do bloco em meio ao novo cenário aberto pelo acordo Mercosul-União Europeia, assinado em janeiro de 2026
O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, participa nesta quinta-feira (28), em Assunção, no Paraguai, da reunião do Conselho de Câmaras de Comércio do Mercosul (CCCM), considerada estratégica para o fortalecimento da integração regional em um momento histórico para o bloco, marcado pela recente assinatura do acordo Mercosul-União Europeia, concluída em janeiro de 2026 pelos países membros, sob liderança do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.
O encontro, realizado na Casa da Integração do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF), reuniu representantes das principais câmaras de comércio do Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia e Chile, além de autoridades paraguaias e lideranças empresariais da região. A reunião foi organizada pela Câmara Nacional de Comércio e Serviços do Paraguai (CNCSP), que exerce a presidência pro tempore do Conselho de Câmaras de Comércio do Mercosul.
A programação inclui debates sobre políticas públicas, logística, conectividade e os desafios futuros do comércio regional, além da construção de propostas conjuntas do setor privado a serem encaminhadas aos governos do Mercosul.
Integração sul-americana
Durante sua participação na reunião, o presidente Tadros defendeu o aprofundamento da integração sul-americana e afirmou que a região precisa superar barreiras históricas e burocráticas para ampliar sua competitividade global.
Tadros destacou que, mesmo após duas guerras mundiais, a Europa conseguiu avançar mais rapidamente em seu processo de integração do que os países sul-americanos. Segundo ele, a América Latina herdou desconfianças históricas provocadas por disputas coloniais e pela influência de potências externas.
“A Europa teve duas grandes guerras mundiais e se integrou com muito mais rapidez e facilidade do que nós aqui na América do Sul. Nós precisamos avançar muito mais esse processo de integração”, afirmou.
O presidente do Sistama CNC-Sesc-Senac ressaltou que os países da região compartilham características culturais, econômicas e geográficas que favorecem a união regional.
“Nós somos latinos, ibéricos, sul-americanos e estamos condenados a sermos vizinhos eternamente. Pensamos igual, temos ideais iguais e um território maravilhoso, com recursos naturais, hídricos, petróleo, carne, terras e minérios”, disse.
Tadros também argumentou que conflitos históricos na América do Sul foram influenciados por interesses externos, e não por rivalidades entre os próprios países da região.
“Nós, mesmos sul-americanos, nunca provocamos nenhuma guerra entre nós. Nós sempre amamos a paz e procuramos um entendimento. Agora nós precisamos romper essas barreiras todas”, declarou.

Regiões promissoras
Ao defender maior integração econômica e política, ele destacou que a América do Sul possui potencial para se tornar uma das regiões mais promissoras do planeta.
“Se nós nos integrarmos e rompermos essas barreiras, eu não tenho dúvida nenhuma de que a região mais promissora do mundo é a América do Sul”, destacou.
Tadros também pontuou os entraves burocráticos impostos pelos governos da região e defendeu medidas voltadas à competitividade econômica. “As dificuldades maiores residem nos nossos governos, que criam barreiras, leis e normas diariamente, e isso impede o desenvolvimento do comércio e a possibilidade da nossa integração”, afirmou.
Em sua fala, Tadros afirmou que a América do Sul reúne todas as condições para se transformar em uma das regiões mais promissoras do planeta, mas que isso depende do aprofundamento da integração regional.
Enfatizou ainda que a posição geográfica e os recursos naturais colocam a América do Sul em condição privilegiada no cenário global. “Estamos perto da Ásia, perto da África e perto da Europa. Temos tudo para nos integrarmos. Se nós rompermos essas barreiras, não tenho dúvida de que a América do Sul é a região mais promissora do planeta”, afirmou.
Mercosul diante de um novo cenário global
Para a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o encontro destaca que o acordo Mercosul-União Europeia representa uma mudança estrutural na inserção internacional do bloco. O tratado conecta um mercado de mais de 700 milhões de consumidores e uma economia superior a US$ 22 trilhões.
Para a entidade, o Mercosul deixa de ser visto apenas como exportador de commodities e passa a ocupar espaço relevante na reorganização das cadeias globais de valor.
A CNC também alerta que o grande desafio do bloco será a adaptação às novas exigências regulatórias do comércio internacional, especialmente em relação à rastreabilidade, às regras de origem e às normas ambientais.
Presidente do Paraguai reforça necessidade de integração
No encontro, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, ressaltou a necessidade de ampliar a integração econômica regional, destacando que o Mercosul vive uma oportunidade decisiva para reposicionar a América do Sul no cenário global.
“Hoje, sob a presidência pro tempore do Conselho de Câmaras do Mercosul, continuamos com a mesma missão fundadora, de construir um comércio mais integrado, moderno e justo para nossa região e, sobretudo, para os cidadãos que aqui vivem”, afirmou.
Peña destacou que o Paraguai chega ao encontro em um momento de consolidação econômica, após alcançar o grau de investimento, resultado que, segundo ele, demonstra confiança institucional e estabilidade econômica.
“O Paraguai chega a este encontro em um momento de consolidação, tendo alcançado a dupla classificação de grau de investimento. Esta é uma clara demonstração do compromisso do país em cumprir suas obrigações e da existência de um modelo econômico que inspira confiança”, declarou.
O presidente paraguaio também ressaltou o peso estratégico do comércio e dos serviços na economia nacional.
“Somos um país que investe no comércio. O comércio e os serviços representam hoje mais de 50% do nosso Produto Interno Bruto e mais de 60% do nosso emprego formal”, afirmou.
Ao defender o livre mercado e a concorrência justa, Peña argumentou que o fortalecimento institucional é essencial para garantir competitividade e desenvolvimento sustentável.
“No Paraguai, acreditamos em um mercado livre e justo. As regras comerciais devem ser equitativas, independentemente do nome ou porte dos participantes”, disse.
O presidente do Paraguai afirmou ainda que o Mercosul e a América do Sul continuam entre as regiões menos integradas do mundo e que os impactos da pandemia deixaram evidente a importância da cooperação regional.
“Os países e regiões mais integrados estão mais bem preparados para enfrentar eventos que não podemos controlar. Precisamos mudar o rumo das coisas”, afirmou.
Peña disse que pretende levar essa mensagem à próxima cúpula do Mercosul, marcada para 30 de junho.
“Queremos ver uma América ressurgente e estamos convencidos de que a América está ressurgindo a partir desta plataforma que temos, o Mercosul”, declarou.
Construção conjunta do setor privado
Criado em 1992, o Conselho de Câmaras de Comércio do Mercosul reúne entidades empresariais dos países do bloco com o objetivo de fortalecer a integração econômica, promover a harmonização normativa e estimular a convergência de políticas comerciais regionais.
A edição deste ano ocorreu sob a presidência pro tempore da Câmara Nacional de Comércio e Serviços do Paraguai, liderada por Ricardo dos Santos, e reuniu representantes empresariais do Brasil, Argentina, Uruguai, Bolívia e Chile.
Acompanhe ao vivo a reunião: https://www.facebook.com/100064420970716/videos/2151757522334192
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