Deputada transgênero Erika Hilton assume comissão da mulher na Câmara dos Deputados e gera reação da oposição
A eleição da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, realizada nesta quarta-feira (11), provocou forte controvérsia entre parlamentares. A votação terminou com 11 votos favoráveis e dez votos em branco.
Hilton torna-se a primeira mulher transgênero a comandar o colegiado, fato que foi celebrado por aliados, mas criticado por parte da oposição, que questionou a escolha para liderar uma comissão voltada às pautas femininas.
Durante o discurso de posse, a parlamentar afirmou que pretende conduzir a comissão com diálogo e foco na defesa dos direitos das mulheres.
“Esta presidência não é apenas um nome, é o símbolo de uma democracia que se expande”, declarou a deputada, afirmando que sua gestão buscará atender mulheres em diferentes realidades sociais.
Apesar do discurso conciliador, a eleição acentuou divergências dentro do colegiado.
Críticas da oposição
Deputadas de oposição manifestaram publicamente insatisfação com o resultado da eleição. Para elas, a presidência da comissão deveria ser ocupada por uma mulher cisgênero.
A deputada Chris Tonietto (PL-RJ) afirmou que a escolha representa um desvio da finalidade da comissão.
“Não podemos concordar com a entrega desta comissão, que deveria zelar pela dignidade da mulher, da vida e da família, a uma pauta que desvirtua a própria essência feminina”, declarou.
Já a deputada Clarissa Tércio (PP-PE) disse que o cargo deveria ser ocupado por uma “mulher de fato”, argumentando que questões biológicas fazem parte central do debate sobre políticas públicas voltadas às mulheres.
“Esta comissão é das mulheres, e nós queremos ser representadas por mulheres de verdade, que entendem a nossa natureza e os nossos desafios biológicos”, afirmou.
Apoio de aliados
Parlamentares da base governista e de partidos de esquerda saíram em defesa da nova presidente da comissão. A deputada Erika Kokay (PT-DF) classificou as críticas como preconceituosas e defendeu a legitimidade da eleição.
Segundo ela, o colegiado deve representar a diversidade das mulheres brasileiras e combater qualquer forma de discriminação.
Nova composição
Além da presidência de Erika Hilton, também foram eleitas para a mesa da comissão:
- Laura Carneiro (PSD-RJ) — 1ª vice-presidente
- Adriana Accorsi (PT-GO) — 2ª vice-presidente
- Socorro Neri (PP-AC) — 3ª vice-presidente
Todas receberam 11 votos, com dez votos em branco em cada uma das votações.
Entre as prioridades anunciadas pela nova gestão estão a fiscalização da rede de proteção às mulheres, o funcionamento das Casas da Mulher Brasileira e o combate à violência política de gênero — pautas que, segundo parlamentares, deverão continuar no centro de debates intensos dentro da comissão.
Crédito da imagem: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
Fonte: Agência Câmara de Notícias
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