UFF Presente: uma trajetória de formação e transformação no litoral sul fluminense
Há mais de 30 anos, a Universidade Federal Fluminense (UFF) consolida seu papel como pilar do desenvolvimento social e educacional em Angra dos Reis e no litoral sul fluminense. Pioneira na oferta de ensino superior público na região, por meio do Instituto de Educação de Angra dos Reis (Iear/UFF), a instituição tem sido fundamental na democratização do acesso à universidade. Ao longo dessa trajetória, a UFF qualificou gerações de profissionais que hoje atuam na rede pública municipal, com destaque para as áreas de Pedagogia e Geografia.
Atualmente, a unidade recebe cerca de 550 estudantes em seus três cursos de graduação: licenciatura em Pedagogia, licenciatura em Geografia e bacharelado em Políticas Públicas. A pós-graduação lato sensu em Gestão de Territórios e Saberes atende aproximadamente 30 alunos, com turmas distribuídas entre Angra dos Reis e Paraty. Além disso, a unidade sedia o Mestrado Acadêmico em Territórios, Sociedade e Políticas Públicas — único de todo o litoral sul fluminense —, que conta atualmente com 13 mestrandos.
Segundo o reitor da UFF, professor Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, a presença da universidade em Angra dos Reis vai muito além da sala de aula. “A integração entre sustentabilidade, inclusão e excelência acadêmica projeta a instituição como um modelo de universidade pública socialmente referenciada, capaz de contribuir para a transformação da realidade local, com um olhar atento e humano para os desafios contemporâneos e do futuro. Somam-se a isso os diversos projetos desenvolvidos em parceria com a comunidade da região e com instituições locais, que fortalecem o vínculo da UFF com o território e ampliam seu impacto social real”.
Compromisso Social e Transformação do Território
Essa visão estratégica se traduz em iniciativas com impacto direto na sociedade. Um exemplo prático dessa atuação é a coordenação do Plano Municipal de Redução de Risco de Angra dos Reis, conduzida pelos professores Anderson Sato e Paulo Leal. O projeto, realizado em parceria com a Secretaria Nacional de Periferias, a Prefeitura Municipal de Angra dos Reis e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), promoveu o mapeamento detalhado de áreas críticas em todo o município, sendo decisivo para a captação de recursos federais destinados à prevenção de desastres.
Ao longo de 18 meses, a iniciativa envolveu a população em mais de 200 atividades, incluindo oficinas participativas voltadas à construção coletiva de estratégias de proteção nas periferias. Todo trabalho foi balizado pelo Marco de Sendai, principal referência internacional para a gestão de riscos e desastres no mundo.
A participação da comunidade na realização dos planos foi fundamental, afirmam os coordenadores. Foto: Anderson Sato/Arquivo Pessoal
Para além da gestão de riscos, a presença do instituto se manifesta no cotidiano da cidade. Segundo o diretor do Iear/UFF, professor André Rodrigues, a unidade participa ativamente de conselhos e espaços associativos locais, como os comitês de gestão de áreas de conservação ambiental, o Conselho Municipal de Segurança Alimentar e o Fórum Popular de Angra.
“A atuação do instituto está profundamente conectada ao território. Participar desses espaços é fundamental para que a universidade dialogue com as demandas locais e contribua para o desenvolvimento da região”, afirma o diretor.
Essa capilaridade social estende-se, ainda, ao fortalecimento de comunidades tradicionais e periféricas da região. Em parceria com o Quilombo Santa Rita do Bracuí e o Observatório de Favelas, o Iear/UFF desenvolve formações voltadas à segurança e à proteção de lideranças comunitárias. Na mesma linha de valorização do território, o instituto integra redes de agroecologia com produtores locais e mantém o pré-vestibular social Ilê Èkó. Realizado em parceria com a Uneafro Brasil, o projeto prepara estudantes para o ensino superior, além de oferecer alimentação gratuita baseada em princípios agroecológicos.
Projeto oferece alimentação gratuita baseada em princípios agroecológicos. Foto: Instagram @pre_ileeko
Três décadas de ensino, pesquisa e formação acadêmica
A presença da universidade em Angra começou a se consolidar no início da década de 1990, a partir de iniciativas de professores da Faculdade de Educação da UFF, em Niterói, junto à rede municipal de ensino. Projetos voltados à formação de docentes, alfabetização de adultos e encontros com professores da rede pública fortaleceram a parceria entre universidade e município e abriram caminho para a criação de um curso de graduação voltado à realidade local.
Em 1992 foi implantado o primeiro curso de Pedagogia da UFF no município. Inicialmente oferecido no período noturno, o curso funcionava em uma escola municipal cedida pela prefeitura e contava com professores da Faculdade de Educação da sede da universidade, em Niterói. A proposta pedagógica foi estruturada a partir de eixos curriculares que articulam teoria e prática, organizados de forma interdisciplinar.
A expansão das universidades federais no país, impulsionada pelo Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), deu novo impulso à presença da UFF em Angra. Em 2008 foi criado o Instituto de Educação de Angra dos Reis (Iear/UFF), que passou a contar com corpo docente próprio e instalações específicas.
Em 2012 foram criados mais dois cursos de graduação: a licenciatura em Geografia e o bacharelado em Políticas Públicas. Hoje, a unidade conta ainda com a pós-graduação lato sensu em Gestão de Territórios e Saberes e com o recém criado curso de Mestrado Acadêmico em Territórios, Sociedade e Políticas Públicas.
Para o diretor, a unidade se firma como um importante polo acadêmico na região. “Os egressos do curso de Políticas Públicas, por exemplo, têm ingressado em carreiras na administração pública em diferentes níveis de governo, o que demonstra a qualidade da formação oferecida. Muitos também seguem a trajetória acadêmica e têm sido aprovados em programas de pós-graduação de instituições como a Universidade Federal do Rio de Janeiro, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro e a própria Universidade Federal Fluminense”, destaca.
Reconhecimento e futuro
Entre os destaques recentes da unidade está o prêmio internacional Green Gown Awards, na categoria Creating Impact, recebido em 2025 pelo projeto Bacia Escola, coordenado pelo professor Anderson Sato. Criada em 2017 a partir da articulação entre universidade, instituições públicas e organizações comunitárias, a iniciativa promove a gestão sustentável das águas no estado do Rio de Janeiro, tendo como eixo a educação ambiental, a ciência cidadã e a prevenção de desastres relacionados às mudanças climáticas. Atualmente consolidado nos municípios de Angra dos Reis e de Bom Jardim, o projeto mobiliza comunidades na construção de Planos de Ação Comunitários, que definem prioridades locais para enfrentar desafios como saneamento precário, problemas no abastecimento e na qualidade da água, queimadas e perda de cobertura florestal nas bacias hidrográficas.
O Projeto Bacia Escola promove aulas-passeio para alunos da rede básica de ensino. Foto: acervo do projeto Bacia Escola.
O trabalho desenvolvido pelo Iear/UFF na formação de professores para escolas de comunidades tradicionais também foi reconhecido no último ano com a concessão da Comenda Regina Leite Garcia, pelo Fórum Estadual de Educação Popular. A homenagem destacou a formatura da primeira turma de magistério indígena do estado do Rio de Janeiro, vinculada ao programa “Escolas do Território”, iniciativa criada diante da necessidade de currículos diferenciados e de docentes capazes de compreender e promover a resistência cultural e o fortalecimento da identidade de povos tradicionais.
Entre as estratégias adotadas pelo programa está a produção de materiais didáticos bilíngues, desenvolvidos para atender à demanda das comunidades Guarani e de outros povos indígenas por conteúdos pedagógicos em língua materna. A iniciativa inclui a elaboração de livros e de materiais audiovisuais voltados ao ensino e à aprendizagem da língua Guarani Mbya, produzidos em parceria com pesquisadores e instituições como o Museu Nacional da UFRJ. Segundo o coordenador do programa, professor Domingos Barros Nobre, entre os resultados obtidos, destaca-se a produção de um livro didático sobre a língua Guarani Mbya, elaborado pelo professor indígena Algemiro da Silva Carai Mirim, além de nove curtas-metragens audiovisuais falados em Guarani e legendados em português, utilizados como ferramentas pedagógicas nas escolas indígenas.
Para o diretor do Iear/UFF, André Rodrigues, as conquistas recentes reafirmam a relevância da unidade na região e apontam caminhos para o futuro. “Esses reconhecimentos confirmam o papel do nosso instituto como uma instituição de ensino superior de excelência no litoral sul fluminense. Para os próximos anos, nossas prioridades incluem fortalecer as políticas de permanência estudantil, especialmente no que se refere à alimentação, ampliar a infraestrutura do campus e seguir consolidando o ensino, a pesquisa e a extensão em todos os níveis, da graduação à pós-graduação”, destaca.
#gallery-1 {
margin: auto;
}
#gallery-1 .gallery-item {
float: left;
margin-top: 10px;
text-align: center;
width: 33%;
}
#gallery-1 img {
border: 2px solid #cfcfcf;
}
#gallery-1 .gallery-caption {
margin-left: 0;
}
/* see gallery_shortcode() in wp-includes/media.php */
Quer enviar uma queixa ou denúncia, ou conteúdo de interesse coletivo, escreva para noticia@diariodeniteroi.com.br ou utilize um dos canais do menu "Contatos".







