Aplicativo da UFF leva de maneira lúdica ensinamentos sobre saúde e higiene básica
Desenvolvido com base no manual do Programa Saúde na Escola (PSE) e do trabalho prático desenvolvido em escolas infanto-juvenil desde 2008, o e-book “Historinhas de Saúde”, tem como objetivo levar conhecimento de saúde e higiene de forma simples e lúdica para as crianças. O projeto é desenvolvido pelo professor do Departamento Materno-Infantil e Psiquiatria, Jorge Luiz Lima da Silva, e está inserido no catálogo de Tecnologias Sociais da Universidade Federal Fluminense (UFF).
O e-book é dividido em 12 histórias sobre diferentes temas da área de saúde selecionados a partir do PSE, estratégia de integração da educação e saúde para o desenvolvimento da cidadania e da qualificação das políticas públicas voltadas para às crianças, adolescentes, jovens e adultos da educação pública, e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), além de abordar assuntos contemporâneos como o uso excessivo de telas, a importância do sono e o equilíbrio ecológico.
Para Lima da Silva, a infância é uma janela de oportunidades, pois a criança está aberta para o aprendizado e, por isso, é mais fácil estimular a criação de hábitos saudáveis e de leitura, durante esse período da vida. Além disso, “a criança também é um agente multiplicador. Então, ela conversando dentro de casa, com outros amiguinhos, ela leva e espalha esse conhecimento com demais colegas e familiares. A dinâmica ajuda a disseminar a informação, promover a autonomia e a redução de doenças entre as crianças que poderiam ser evitáveis”, complementa.
Das letras no papel às vozes da IA
A partir dos trabalhos desenvolvidos nas escolas desde 2008, Jorge Luiz Lima observou as demandas vindas de professores, coordenadores e familiares e decidiu colocá-las em formato de histórias em um livro. “Ao longo dos anos fui percebendo as demandas que elas tinham e como eu sempre gostei de escrever, comecei a desenvolver as historinhas. Eu não quis fazer em formato de fábula, criei as histórias de um jeito como se elas estivessem ocorrendo na escola, em tempo real, com os amigos deles”, comenta.
Nas primeiras atividades desenvolvidas com o livro, logo foi notado a falta de adesão e de interatividade das crianças com os contos apresentados. “Eles achavam interessante, mas queriam interagir e pintar as figuras que eram em preto e branco. A partir disso, pensamos : ‘vamos transformar esse e-book em um aplicativo, em que a criança possa ler as histórias’”, adiciona Lima da Silva.
O aplicativo foi desenvolvido em parceria com o Laboratório de Mídia e Apps para Promoção da Saúde (LabMapps/UFF). Foto: Divulgação
Durante o desenvolvimento do app, o tema da interatividade se tornou ponto chave em meio a programação, e foi utilizada uma ferramenta para auxiliar essa etapa, a Inteligência Artificial (IA). No processo de criação, as inteligências artificiais generativas estavam em um estágio inicial de desenvolvimento, e apresentavam diversos erros que foram ajustados com o tempo.
“As imagens eram muito ruins. Eu tinha que adaptar toda hora, corrigi-las, tanto que chegamos ao ponto de digitar no prompt ‘uma criança brincando no jardim com duas pernas’, a resposta era a criança segurando os membros, pois a IA gerava personagens com membros a mais ou a menos, precisamos desenhar algumas no tablet”, aponta o professor. Com o desenvolvimento da IA e a possibilidade de gerar vozes, os textos ganharam a opção da leitura gerada pela inteligência artificial que contribuem para o aprendizado infantil e reconhecimento de palavras.
O aplicativo conta com a tecnologia Progressive Web Apps (PWAs) que possibilita o app funcionar de forma nativa nos dispositivos, sem necessidade de conexão à internet. A tecnologia permite que pessoas que vivem em zonas remotas tenham acesso às historinhas, podendo até mesmo utilizar off-line, após instalação prévia em um primeiro acesso.
Apresentação do app Historinhas de Saúde no colégio. Foto: Divulgação
O trabalho visa levar informação, de maneira leve e interativa, sobre qualidade de vida e promoção da saúde para as crianças que logo se tornarão adolescentes. O professor ressalta: “falamos desde cedo que informação é poder, então a criança tem que ser empoderada desde pequena para ter autonomia sobre sua saúde”.
Ao abrir o aplicativo “Historinha de Saúde”, o usuário é apresentado ao menu contendo as 12 opções de história. Cada historinha apresenta uma situação envolvendo a área da saúde e de bem-estar social, em um contexto relacionado ao ambiente escolar para fácil associação das crianças. Uma das histórias que mais fazem sucesso entre a garotada é a “Mia e o Reino dos Alimentos Saudáveis”, onde a personagem atravessa um portal no quintal de sua avó, e cai em um reino mágico, sendo apresentada pelo majestoso abacaxi sorridente, “rei Frutópolis”.
Na história, Mia é conduzida pelo rei em diversas áreas do reino, aprendendo sobre a importância de cada alimento para uma alimentação balanceada e saudável. “As crianças começam a fazer comparações, e isso leva a discussão, e vamos conversando sobre a importância dos alimentos. Após isso, elas montam um prato saudável com várias imagens que temos escaneadas e plastificadas”, adiciona Lima da Silva.
O Laboratório de Mídia e Aplicativos para Promoção da Saúde (LabMapps/UFF) é liderado por Jorge Luiz Lima da Silva, vinculado à Escola de Enfermagem da UFF, e tem como objetivo a criação de tecnologias educacionais e de apoio à saúde coletiva. O projeto conta com a participação de quatro pesquisadores e de 13 estudantes da graduação e da pós-graduação.
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Jorge Luiz Lima da Silva é pesquisador e possui graduação em Enfermagem e Licenciatura -Universidade Federal Fluminense (UFF-2004). Pós-graduação em Formação Pedagógica p/ Área da Saúde (2005) e Ativação de Processos de Mudança, na Formação Superior em Saúde (Ensp/Fiocruz-2006). Mestrado em Enfermagem pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio-2007). Doutorado em Ciências da área da Saúde Pública (Ensp/ Fiocruz, 2015). Estágio de Pós-Doutorado no Programa de Saúde Pública e Meio Ambiente (Ensp/Fiocruz 2019). Atualmente, é professor de Saúde Coletiva, Políticas Públicas e Metodologia Científica, em cursos de graduação e pós-graduação. Lotado no Depto. Materno-Infantil e Psiquiatria – UFF. Professor colaborador do Mestrado em Saúde Coletiva-UFF.
Por Guilherme Neves
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