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Samba – essa maravilhosa construção brasileira



Foi num encontro inesperado que fiquei feliz, surpreso e honrado.

Explico.

Feliz, por ter encontrado Márcio Kerbel e Ana Morche, sua esposa, quando Márcio me falou do lançamento do Diário de Niterói. Surpreso, por ter sido convidado para escrever sobre samba neste veículo e honrado exatamente por esse motivo. Por isso, o meu muito obrigado pelo convite e por esta oportunidade. Escrever aqui já está sendo um grande prazer.

Mas…vamos direto ao assunto. 

A coluna Papo de Samba é um espaço pra falar como entendemos o ritmo que passou a ser uma marca da nossa cultura, reconhecido oficialmente como Patrimônio Imaterial do Brasil.

Batuques, Bahia, maxixe, Rio de Janeiro, não queremos valorizar polêmicas sobre as origens do samba, nossas certezas são que o samba surge a partir da população negra, como um ritmo eminentemente popular e que tem a sua certidão de nascimento com o registro da música “Pelo telefone” como samba, através do compositor e violonista Donga, na segunda década do século passado. 

Aqui sustentaremos que o samba é uma bela construção, apesar das perseguições aos seus criadores e adeptos. O samba se desenvolveu muito ao encontrar um grande parceiro: o carnaval. 

Foi através do carnaval e impulsionado pelo surgimento das escolas de samba, que o samba ganhou uma grandiosa dimensão. Era ali que as famílias das comunidades se encontravam, onde comerciantes eram convocados a prestar o seu apoio e onde surgiram agremiações. Como desdobramento tivemos o seu fortalecimento e o ganho – quase cooptação – da simpatia do Estado, através da política nacionalista do governo Vargas, que precisava de algo simbólico que desse identidade para afirmar seu projeto de Estado Nação. 

A essa altura nosso leitor exigente e informado, pode lembrar de outras ações e figuras que protagonizaram tentativas de embranquecimento do samba, mas que acabaram sim, contribuindo para costurar todo seu simbolismo. 

Outro avanço na parceria do samba com o carnaval, fica claro com o surgimento dos certames das escolas de samba. Estamos na década de 1930, a década que consolida a construção a qual nos referimos.  

Foi atravessando o período do Estado Novo e da Segunda Guerra, que mais uma vez o samba mostrou o seu gingado, driblando situações adversas, se firmando como ritmo e dando origem a diferentes estilos como o samba canção e o samba de breque, por exemplo e, no caso das escolas de samba, dando origem ao samba enredo. Esse é o retrato do formidável vigor do samba. 

Falamos de um período onde ser sambista passa a ser um estilo de vida, um modo de viver, onde o samba funciona como um imã, atraindo diversos elementos de outros gêneros musicais e  polarizando outras classes que, se por um lado pouco têm a ver com as origens do samba, por outro lado o consome com voracidade. 

Ficamos por aqui porque a evolução dessa abordagem, já é pra outro Papo de Samba.

Ricardo de Moraes é Produtor Cultural, especialista em docência do ensino superior e diretor presidente do Centro de Referência Carioca do Samba

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