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Em audiência pública, CNC alerta para impactos das apostas on-line no endividamento das famílias e no comércio


Estudo apresentado na Comissão de Finanças e Tributação aponta agravamento da inadimplência severa e efeitos relevantes sobre o orçamento familiar

A expansão acelerada das apostas on-line no Brasil já provoca efeitos relevantes sobre o endividamento das famílias e o comércio, segundo estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apresentado em audiência da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, na quarta-feira (20).

A CNC esteve representada pelo economista-chefe Fábio Bentes, que apresentou os principais resultados do estudo Impacto das Apostas On-line no Endividamento das Famílias Brasileiras, elaborado pela Gerência de Estudos e Análises Econômicas (Geade). O levantamento analisou o período de janeiro de 2023 a março de 2026, marcado pela rápida expansão do mercado de apostas no País.

De acordo com dados do Banco Central, os gastos mensais com apostas on-line atingiram cerca de R$ 30 bilhões, acumulando crescimento de aproximadamente 500% desde o início da série histórica. Para a Confederação, um aumento dessa magnitude em qualquer item do orçamento familiar tende a gerar impactos significativos na saúde financeira dos consumidores.

Metodologia e indicadores analisados

O estudo da CNC adotou metodologia econométrica utilizada em pesquisas internacionais, com controle para fatores que influenciam o orçamento das famílias, como mercado de trabalho, condições de crédito, taxa de juros e inflação. O objetivo foi identificar o efeito líquido do crescimento dos gastos com apostas on-line, evitando associações automáticas entre o fenômeno e o aumento do endividamento.

A análise considerou quatro indicadores centrais de saúde financeira das famílias brasileiras: total de famílias endividadas; famílias com contas em atraso; famílias sem condições de pagar dívidas em atraso (inadimplência severa); e tempo médio de atraso das dívidas.

Os resultados indicam que o avanço das apostas on-line não explica, de forma isolada, o aumento do número total de famílias endividadas nem, até o momento, a entrada de novas famílias na inadimplência. No entanto, os impactos se concentram no agravamento da inadimplência severa e no prolongamento do tempo de atraso das dívidas.

Segundo o estudo, a cada 10% de aumento nos gastos com apostas on-line, há crescimento de 0,12 ponto percentual na proporção de famílias que declaram não ter condições de pagar suas dívidas, além de quase meio dia adicional no tempo médio de atraso das contas.

Emprego em alta e piora da inadimplência

Outro ponto destacado pela CNC é que o período analisado foi marcado por queda da taxa de desocupação e melhora do mercado de trabalho. Em condições normais, esse cenário deveria contribuir para a redução do endividamento das famílias. “Se o endividamento mais severo cresce mesmo com melhora substancial do emprego, o impacto causal das apostas on-line se torna ainda mais relevante”, afirmou Bentes na audiência.

O economista-chefe ressaltou que o debate sobre apostas on-line não se restringe ao Brasil. Experiências internacionais mostram que países com economias de mercado têm buscado mitigar as externalidades negativas associadas ao setor, especialmente os efeitos sobre a saúde financeira e mental da população.

Para a entidade, o foco do debate deve estar nos impactos sobre o consumidor e sobre as famílias brasileiras, em especial as mais vulneráveis. O estudo aponta maior exposição de homens, jovens e famílias de menor renda, em linha com evidências da literatura internacional.

Efeitos no comércio

O estudo da CNC estima que a expansão das apostas on-line tenha provocado um impacto de cerca de R$ 144 bilhões no varejo brasileiro, valor equivalente a aproximadamente dois Natais de vendas no comércio. Segundo a entidade, não há evidências de que os recursos gastos em apostas retornem de forma consistente para a economia real.

“A nossa preocupação não é a arrecadação ou a proibição, mas o efeito final sobre o consumidor. Para quem está endividado, não importa se o gasto ocorre em uma plataforma formal ou informal – o impacto no orçamento familiar é o mesmo”, reforçou Bentes.

O economista-chefe da CNC colocou-se à disposição do Parlamento para aprofundar o debate técnico e contribuir com a formulação de políticas públicas que enfrentem o problema de forma equilibrada, com foco na proteção do consumidor e na sustentabilidade financeira das famílias brasileiras.

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