Turismo precisa avançar da formulação de propostas para a execução de políticas públicas, defende Cetur na Equipotel
Diretor da CNC e responsável pelo Cetur, Alexandre Sampaio destacou a necessidade de ampliar investimentos, fortalecer a articulação entre governos e transformar propostas em resultados concretos para o setor
O fortalecimento das políticas públicas para o turismo e a ampliação dos investimentos destinados ao setor estiveram no centro da palestra do diretor da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e responsável pelo Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur), Alexandre Sampaio, durante a 63ª edição da Equipotel, realizada nesta terça-feira (15), no Expo Center Norte, em São Paulo. O evento reuniu representantes e profissionais da hospitalidade para debater os desafios e as perspectivas para os segmentos de turismo, hotelaria e alimentação fora do lar.
Ao apresentar os avanços do programa Vai Turismo – Rumo ao Futuro, ação voltada à articulação entre iniciativa privada, poder público e sociedade civil para a construção e o acompanhamento de políticas públicas para o setor, Sampaio destacou que o turismo ganhou mais espaço nos programas de governo, mas ainda enfrenta desafios para que as propostas sejam efetivamente implementadas e recebam recursos compatíveis com sua importância econômica.
Dados apresentados durante a palestra mostram que o ciclo 2026 do programa reuniu 28 oficinas em todo o País, mobilizou 1.373 participantes de cerca de 830 instituições e resultou na consolidação de 735 propostas de políticas públicas para os estados brasileiros.
Avanço nas propostas, déficit na implementação
Segundo Sampaio, houve evolução na incorporação do turismo às agendas governamentais, mas o setor ainda precisa avançar na transformação dessas propostas em ações efetivas.
“Há uma evolução nas propostas das políticas públicas colocadas nos programas de governo. É bem verdade que, entre os cinco mais bem colocados no ranking, quatro contemplam essa questão. Nós temos que vencer esse ato, quer dizer, temos aí a política do Ministério do Turismo sendo tratada”, afirmou.
Apesar desse cenário, o responsável pelo Cetur da CNC observou que a implementação das políticas públicas ainda ocorre de forma limitada.
“Vemos a política implantada aquém do que ela merece ser implantada, com recursos em termos orçamentários muito pífios. Precisamos resolver isso e potencializar esse processo”, acrescentou.
Sampaio ressaltou que uma das prioridades do Vai Turismo é justamente acompanhar o acolhimento das propostas nos planos de governo, analisar a presença do tema turismo nas administrações eleitas e monitorar a execução de projetos e políticas públicas voltadas ao setor.
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Desenvolvimento começa nos municípios
Outro ponto destacado por ele foi a importância da atuação municipal para o fortalecimento do turismo brasileiro. Segundo Sampaio, o trabalho realizado pelo Cetur e pelas entidades parceiras nos últimos anos buscou inserir o tema nos programas de governo das administrações locais, reconhecendo o papel estratégico dos municípios no desenvolvimento da atividade.
“Há dois anos, nas políticas e propostas para as municipalidades, conseguimos, inclusive, vários municípios colocarem [o turismo] em seus programas de governo, até porque o turismo se desenvolve na base municipal”, afirmou.
A iniciativa integra a estratégia do programa Vai Turismo de mobilizar lideranças e instituições em todas as regiões do País para construir agendas alinhadas às vocações e aos desafios locais. As propostas elaboradas contemplam temas como conectividade aérea, qualificação profissional, governança, inteligência turística, acessibilidade, adaptação climática e integração regional.
Integração regional para ampliar investimentos
Sampaio também defendeu uma atuação mais integrada entre estados, municípios e regiões turísticas como forma de ampliar a capacidade de investimento e fortalecer as políticas públicas destinadas ao setor.
Segundo ele, iniciativas que promovem a articulação entre regiões interligadas podem favorecer a sensibilização dos governos e ampliar as oportunidades de captação de recursos, inclusive por meio da atuação de parlamentares comprometidos com o desenvolvimento do turismo.
“Precisamos trabalhar a integração regional e sensibilizar os governos para dar continuidade a esse processo”, destacou.
Os dados técnicos sobre o Vai Turismo foram apresentados por Cássio Garkals, da GKS Consultoria. A apresentação mostrou que, embora cada região brasileira possua desafios específicos, há convergências importantes entre as propostas elaboradas nos estados.
Entre os temas mais recorrentes estão a acessibilidade universal da infraestrutura turística, presente em todos os estados, e a melhoria da mobilidade e dos acessos aos destinos, identificada em 26 das 27 unidades da Federação. Também aparecem como prioridades comuns a promoção dos destinos, a inteligência de dados, a economia criativa, o desenvolvimento de novos produtos turísticos e a qualificação da infraestrutura e dos serviços.

Construção coletiva para o futuro do turismo
Sampaio ressaltou ainda que o fortalecimento do turismo depende da continuidade do trabalho colaborativo entre governo, iniciativa privada e entidades representativas do setor.
O programa Vai Turismo, coordenado pelo Cetur/CNC, reúne atualmente 29 entidades nacionais ligadas à cadeia produtiva do turismo e da hospitalidade, com o objetivo de transformar propostas em políticas públicas e resultados concretos para os destinos brasileiros.
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