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Samba – o ritmo da imagem do Brasil



O nosso Papo de samba começa aqui falando da “Era de Ouro do rádio” no Brasil, um período marcante onde o samba também invadiu os lares da classe média do país, uma época que tem início lá pelos idos de 1930. Falamos de um período virtuosíssimo para a música popular e para o samba em especial, que só conhece o declínio com a massificação da televisão três décadas depois.

Justamente, nesse período, que acontece a fundação da Rádio Nacional e o começo dos certames das escolas de samba. Esses dois fatos foram importantíssimos para que o samba se fortalecesse como estilo musical e impulsionasse outros gêneros correlatos. O samba deu força para um mercado composto de autores, músicos, intérpretes, gravadoras, veículos, criadores, anunciantes, vendedores e consumidores, uma cadeia produtiva formidável que impulsionaria a economia de qualquer país. 

Sambistas de toda parte transformaram-se em grandes nomes e se firmaram no cenário artístico nacional, no referido período. No Rio de Janeiro, as escolas de samba chegaram à década de 1960 entre crises de representação, aparecimento de novas escolas resultando ou não de fusões e o surgimento do samba enredo, além da “invasão” da classe média nas escolas de samba. O samba agonizou, não morreu e esses foram momentos bem marcantes de uma movimentação que só fez crescer o número de compositores, de sambistas, de fãs e adeptos do samba.

Também é no período que citamos, que surge um dos maiores fenômenos da música no Brasil, a bossa nova.  Fenômeno que ganhou mundo, há quem considere –o leitor pode me incluir nessa – que a bossa nova seja uma complexa variação do samba, portanto, samba é. O fato é que onde quer que se vá no planeta, a bossa nova e/ou o samba se tornaram referências do Brasil. 

No final do século XX, o samba só fez se expandir com as rodas de samba, ganhou vigor a reunião de pessoas em torno de uma mesa pra tocar e cantar. Novos sambistas despontaram e o tal do “mercado” logo, logo, tratou de faturar dando mais um nome ao samba: pagode. 

Nesse começo de século XXI, junto com o samba, quando as escolas de samba já atravessaram fronteiras e oceanos, constatamos que o samba é vigoroso, guerreiro e brigador. O samba tem a marca da resistência, é o ritmo da imagem do Brasil.  

Falamos em samba e falamos em samba enredo que, de uma forma geral, muito contribui com o fortalecimento do samba como gênero musical. Assim, aproveitamos para lembrar que estamos no período de escolha dos sambas enredo nas escolas de samba do Grupo Especial, muitas até já escolheram, por esse motivo, vamos falar de samba enredo e até dos sambas escolhidos, mas isso, claro, vai ser no próximo Papo de Samba.

*Ricardo de Moraes: Produtor Cultural, especialista em docência do ensino superior e diretor presidente do Centro de Referência Carioca do Samba

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