Comércio exterior: Agenda dos Presidenciáveis defende integração global e mais competitividade para as empresas brasileiras
Quarto eixo da Agenda dos Presidenciáveis reúne propostas de ampliação da inserção internacional do Brasil, modernização aduaneira, fortalecimento da infraestrutura logística e expansão da conectividade aérea
Como aumentar a participação do Brasil no comércio internacional e criar condições para que mais empresas acessem mercados globais? A resposta do Sistema CNC-Sesc-Senac para esse desafio está reunida na Agenda dos Presidenciáveis 2026, documento apresentado aos candidatos à Presidência da República com propostas voltadas ao fortalecimento da competitividade, da logística e da integração econômica do País.
Esta é a quarta reportagem da série especial do Portal do Comércio dedicada aos sete eixos estruturantes da Agenda dos Presidenciáveis. Neste capítulo, o foco está nos desafios relacionados com a internacionalização das empresas brasileiras, a eficiência aduaneira, a infraestrutura logística e a conectividade aérea, temas considerados estratégicos para ampliar a presença do País nas cadeias globais de valor.
O documento parte do diagnóstico de que a economia brasileira ainda enfrenta obstáculos para expandir sua participação no comércio internacional, entre eles custos logísticos elevados, processos aduaneiros complexos, baixa integração internacional e dificuldades de inserção das micro, pequenas e médias empresas nos mercados externos.
“O comércio exterior tem papel fundamental na expansão da atividade econômica, na geração de empregos e na atração de investimentos. Aumentar a inserção internacional das empresas brasileiras, especialmente das micro e pequenas, significa criar oportunidades de crescimento e fortalecer a competitividade do País”, afirmou o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.
Integração global e competitividade exportadora
O aumento da presença brasileira nos mercados internacionais está entre as principais prioridades do eixo. A Agenda dos Presidenciáveis ressalta a necessidade de diversificar a pauta exportadora nacional, reduzindo a dependência de commodities e ampliando a participação de produtos e serviços com maior valor agregado.
Para o Sistema Comércio, uma política externa comercial ativa e estratégica é essencial para fortalecer a competitividade das empresas brasileiras e expandir sua integração às cadeias globais de valor. Nesse contexto, o documento defende o avanço de acordos internacionais considerados estratégicos para o País, com destaque para a implementação do acordo entre Mercosul e União Europeia.
A Agenda entregue aos candidatos à Presidência da República também propõe a criação de política nacional de internacionalização para as micro, pequenas e médias empresas, com foco em capacitação, financiamento e inteligência comercial. O objetivo é aumentar a participação desses negócios nas exportações brasileiras, reduzindo barreiras de acesso aos mercados internacionais e fortalecendo a competitividade regional.
Para o gerente da Assessoria de Gestão das Representações (AGR) da CNC, Sérgio Henrique, a ampliação da presença brasileira nos mercados globais exige uma atuação coordenada entre governo e setor produtivo.
“O desafio não é apenas aumentar exportações, mas expandir a participação das empresas brasileiras nas cadeias globais de valor. Isso exige acordos comerciais modernos, inteligência de mercado, redução de barreiras e mecanismos permanentes de diálogo com os setores diretamente envolvidos nas operações internacionais”, avaliou.
Segundo ele, o fortalecimento da participação empresarial na formulação das políticas de comércio exterior contribui para que os acordos internacionais estejam alinhados às necessidades reais do mercado e às oportunidades existentes para as empresas brasileiras.
Segurança jurídica e eficiência aduaneira
Outro conjunto de propostas busca enfrentar um dos principais desafios apontados pelas empresas que atuam no comércio exterior: a burocracia dos processos aduaneiros.
O documento destaca que a morosidade na liberação de cargas, a fragmentação de sistemas e a instabilidade regulatória contribuem para elevar custos e reduzir a previsibilidade das operações internacionais. Para enfrentar esse cenário, a Agenda dos Presidenciáveis propõe a digitalização unificada dos processos aduaneiros, o fortalecimento da coordenação entre órgãos públicos e a determinação de prazos mais claros para procedimentos de liberação de mercadorias.
A diretora de Relações Institucionais e Governamentais da Confederação, Nara de Deus, salienta que a agenda regulatória possui papel central para aumentar a competitividade brasileira no comércio exterior.
“Grande parte dos avanços necessários para aumentar a competitividade do comércio exterior brasileiro passa pelo aperfeiçoamento de marcos regulatórios e pela construção de um ambiente mais previsível para quem produz e investe. A CNC atua para que as demandas do setor produtivo sejam consideradas na formulação de políticas públicas e no debate legislativo relacionado à inserção internacional do País”, explicou.
A Agenda também defende a consolidação de normas capazes de garantir maior previsibilidade jurídica, neutralidade tributária e proporcionalidade na aplicação de sanções, reduzindo riscos e aumentando a segurança para empresas que operam no mercado internacional.
Entre as medidas propostas, estão ainda a simplificação do acesso a regimes aduaneiros especiais, a digitalização de procedimentos e o aperfeiçoamento de modelos, como a importação por conta e ordem, tema frequentemente apontado pelo setor produtivo como fonte de insegurança jurídica.
Logística e infraestrutura
Os custos logísticos continuam entre os principais obstáculos para aumentar a competitividade das empresas brasileiras no exterior. Segundo a Agenda dos Presidenciáveis, a precariedade da infraestrutura em determinadas regiões, a baixa integração entre os modais e a necessidade de modernização de corredores logísticos afetam diretamente a eficiência do comércio exterior nacional.
Diante desse cenário, o Sistema Comércio propõe a priorização de investimentos federais em infraestrutura logística estratégica, focando a integração entre os modais ferroviário, rodoviário e hidroviário, bem como melhorias dos acessos portuários.
O documento também defende a ampliação de recintos alfandegados, o fortalecimento da governança portuária e a expansão de estruturas como portos secos e Centros Logísticos e Industriais Aduaneiros (CLIAs), considerados importantes para descentralizar operações e reduzir custos de movimentação.
A proposta inclui ainda o avanço de corredores internacionais e a modernização da infraestrutura de fronteiras, expandindo a conectividade do Brasil com mercados globais e fortalecendo o desenvolvimento econômico regional.
Conectividade aérea e integração econômica
O fortalecimento da conectividade aérea aparece como outro ponto estratégico do eixo Comércio Exterior. A Agenda ressalta que o transporte aéreo exerce papel fundamental na integração territorial e no transporte de cargas de maior valor agregado, especialmente em um país com dimensões continentais como o Brasil.
Entretanto, o documento aponta que a baixa capilaridade da malha aérea regional, a concentração de mercado e os elevados custos operacionais ainda limitam o desenvolvimento da aviação comercial e logística.
Entre as propostas apresentadas, estão o fortalecimento das políticas voltadas à aviação regional, a revisão dos custos estruturais do setor, o estímulo à entrada de novos operadores e a expansão da logística aérea de cargas.
O diretor da CNC responsável pelo Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur), Alexandre Sampaio, enfatiza que a conectividade é um elemento essencial não apenas para o turismo, mas para a própria integração econômica do País.
“A ampliação da conectividade aérea fortalece a circulação de pessoas, mercadorias e investimentos. Além de impulsionar o turismo, ela contribui para aproximar regiões, aumentar oportunidades de negócios e melhorar a integração do Brasil com mercados nacionais e internacionais”, reforçou.
A Agenda dos Presidenciáveis também defende o uso mais efetivo das linhas de crédito do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac), voltadas à manutenção de aeronaves e à expansão da operação aérea em regiões com menor cobertura logística.
Leia mais: Propostas para fortalecer o turismo brasileiro
Mais inserção internacional e desenvolvimento econômico
Ao reunir propostas de internacionalização das empresas, modernização aduaneira, ampliação da infraestrutura logística e fortalecimento da conectividade aérea, o eixo Comércio Exterior busca criar condições para que o Brasil aumente sua participação nos fluxos globais de comércio e investimento.
Para o Sistema CNC-Sesc-Senac, o fortalecimento da integração internacional é uma agenda estratégica para elevar a competitividade das empresas brasileiras, diversificar mercados, gerar empregos e impulsionar o desenvolvimento econômico do País.
Leia na íntegra a Agenda dos Presidenciáveis 2026.
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