Diretoria avalia tributação, jornada de trabalho e faz balanço da Semana S
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) realizou, no dia 21 de maio, sua quarta Reunião Ordinária de Diretoria de 2026, em um encontro presencial com os presidentes das Federações Estaduais, Nacionais e demais diretores para discutir temas decisivos para o futuro do comércio brasileiro. Na pauta, assuntos como tributação, jornada de trabalho e a mobilização nacional promovida pela Semana S. Conduzida pelo presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, a agenda reforçou o papel da Confederação como espaço de formulação técnica, articulação política e defesa do ambiente de negócios, em um cenário de crescentes desafios regulatórios e econômicos.

Isonomia concorrencial
O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, expôs os resultados de estudos técnicos sobre os efeitos da chamada “taxa das blusinhas”, instituída pela Lei nº 14.902/2024. Em sua análise, Bentes destacou que a medida representou uma redução parcial da assimetria tributária entre o comércio nacional e plataformas estrangeiras de venda direta ao consumidor.
Segundo os dados apresentados, durante o período de vigência da tributação, o varejo brasileiro registrou aumento significativo no faturamento, sem que houvesse repasse relevante de preços ao consumidor final. “Segmentos como vestuário, artigos de uso pessoal, eletrodomésticos e informática apresentaram crescimento consistente nas vendas, evidenciando um ambiente de concorrência mais equilibrado”, afirmou Bentes.
O economista-chefe da CNC também ressaltou o impacto positivo sobre o emprego formal. De acordo com o estudo, a menor discrepância tributária contribuiu para a preservação de quase 100 mil postos de trabalho ao longo do período analisado. Para Bentes, o debate não se resume à defesa de um imposto específico, mas à necessidade de enfrentar o gap tributário estrutural que penaliza o empresário brasileiro frente a competidores internacionais que operam com cargas significativamente menores.
Durante o debate, dirigentes reforçaram ainda a preocupação com a ausência de isonomia regulatória, lembrando que produtos importados vendidos diretamente ao consumidor não estão sujeitos às mesmas exigências sanitárias, técnicas e fiscais impostas ao comércio formal brasileiro.
Mobilização nacional foi sucesso
Na área de comunicação e mobilização institucional, o destaque da reunião foi o balanço apresentado pelo chefe de Gabinete da Presidência e coordenador de Comunicação Integrada do Sistema CNC-Sesc-Senac, Elienai Câmara, sobre os resultados da Semana S 2026. A iniciativa, que envolveu CNC, Sesc, Senac, federações e sindicatos empresariais em todo o País, consolidou-se como a maior ação integrada do Sistema Comércio.
De acordo com os dados apresentados, a Semana S alcançou mais de 3 milhões de atendimentos presenciais, somando ações do Sesc e do Senac, além de registrar crescimento expressivo no engajamento digital e na presença na imprensa. O número de inscritos nas plataformas digitais praticamente dobrou em relação à edição anterior, ampliando o banco de relacionamento com empresários e trabalhadores do setor.
Na imprensa, a ação gerou mais de 1.100 matérias, com equivalência comercial superior a R$ 8 milhões. Já nas redes sociais, o alcance ultrapassou dezenas de milhões de visualizações, com destaque para o crescimento orgânico do perfil institucional da Semana S. “Os resultados refletem a capacidade do Sistema Comércio de atuar de forma integrada, fortalecendo sua imagem pública e ampliando o diálogo com a sociedade”, afirmou Elienai Câmara.
Ao apresentar os números, o gerente destacou que a Semana S deixou de ser apenas um evento para se tornar uma plataforma permanente de relacionamento institucional, com potencial de mobilização crescente nos próximos anos.
Participação do deputado Leo Prates
A reunião contou também com a participação virtual do deputado federal Leo Prates (Republicanos-BA), relator da Proposta de Emenda à Constituição que trata da revisão da jornada de trabalho, associada ao debate sobre o fim da escala 6×1.
Em sua fala, o parlamentar afirmou que o relatório em elaboração busca reduzir impactos sobre o setor produtivo, preservando a negociação coletiva como instrumento central das relações de trabalho. Segundo Prates, a proposta em análise não pretende engessar modelos operacionais nem interferir em especificidades setoriais, limitando-se à revisão do teto constitucional da jornada máxima de trabalho.
O deputado destacou ainda que pretende manter os parâmetros constitucionais como referência geral, remetendo as particularidades de cada setor à legislação infraconstitucional e às convenções coletivas. “O objetivo é construir um texto equilibrado, que leve em consideração tanto as transformações no mundo do trabalho quanto a realidade econômica das empresas, especialmente micro e pequenas.”
O presidente José Roberto Tadros e os diretores da CNC reforçaram a posição da Confederação em defesa da negociação coletiva, alertando para os riscos de aumento de custos, fechamento de postos de trabalho e aceleração da automação, caso sejam feitas as mudanças contidas na proposta. O deputado Léo Prates pediu que as propostas da Confederação sejam encaminhas para sua apreciação.
Tadros reafirmou que a CNC seguirá trabalhando para garantir competitividade ao setor, preservar empregos e fortalecer o papel do comércio como motor do desenvolvimento nacional.
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